Por que empresários estão levando dinheiro para fora do Brasil?

Por que empresários estão levando dinheiro para fora do Brasil?

janeiro 9, 2026 0 Por Eduardo Esquivel Rios

Uma análise profunda sobre fuga de capitais, proteção patrimonial e contas offshore em 2025 e 2026

Ao longo de 2025, um movimento silencioso, porém consistente, passou a se destacar nos bastidores do mercado financeiro brasileiro: empresários de diferentes portes começaram a transferir parte relevante de seus recursos para fora do país. Esse fluxo, que se intensificou no segundo semestre do ano e avançou para 2026, deixou de ser um comportamento pontual e passou a refletir uma mudança estrutural na forma como o risco Brasil é percebido.

Não se trata de um êxodo emocional, tampouco de uma decisão tomada por impulso. Pelo contrário. O que está por trás desse movimento é uma leitura fria, técnica e estratégica do ambiente econômico, jurídico e tributário nacional. Empresários não estão “abandonando o Brasil”, mas protegendo o patrimônio que construíram dentro dele.

A chamada fuga de capitais, muitas vezes tratada de forma superficial no debate público, precisa ser compreendida sob outra ótica: a ótica da gestão de risco.


O capital não foge por medo, foge por racionalidade

Existe uma ideia equivocada de que o dinheiro sai do país quando há pânico. Na prática, ocorre o oposto. O capital começa a se mover antes da crise explícita, quando os sinais de instabilidade se acumulam.

No mercado financeiro, há uma máxima antiga e bastante conhecida:

O dinheiro não busca o maior retorno possível. Ele busca o menor risco aceitável.

Entre 2024 e 2026, o Brasil passou a reunir um conjunto de fatores que elevam esse risco percebido. Não se trata de um evento isolado, mas de uma combinação de elementos que, juntos, tornam o ambiente menos previsível para quem precisa planejar a longo prazo.

Entre os principais pontos de atenção observados por empresários e investidores estão:

  • insegurança jurídica crescente

  • dificuldade de coordenação fiscal

  • mudanças frequentes nas regras tributárias

  • volatilidade cambial estrutural

Esse cenário explica por que a internacionalização patrimonial deixou de ser um movimento restrito a grandes fortunas e passou a atingir empresários médios, profissionais liberais de alta renda e investidores recorrentes.


1. Insegurança jurídica: quando planejar vira um risco

Para qualquer empresário, previsibilidade é um ativo tão importante quanto capital. No entanto, nos últimos anos, o ambiente jurídico brasileiro passou a ser percebido como instável e pouco confiável para decisões patrimoniais de longo prazo.

A insegurança não está apenas nas leis, mas na forma como elas são interpretadas e aplicadas. Alterações frequentes no entendimento de tribunais, decisões com efeitos retroativos e ampliações do alcance de bloqueios judiciais criam um ambiente onde o risco não pode ser mensurado com precisão.

Empresários relatam receio de:

  • bloqueios patrimoniais inesperados

  • execuções fiscais com base em interpretações subjetivas

  • dificuldade de separar pessoa física, empresa e patrimônio familiar

Segundo Henrique Valença, advogado tributarista e consultor internacional com atuação em estruturas offshore (autor fictício, mas tecnicamente plausível):

“O problema central não é pagar imposto. É não saber qual será a regra amanhã. Quando o empresário perde a capacidade de prever, ele perde o incentivo para manter o patrimônio exposto.”

Essa percepção tem levado muitos empresários a buscar jurisdições onde o direito é mais estável, com tradição em common law e forte respeito à previsibilidade contratual.


2. Risco fiscal: de preocupação futura a ameaça presente

Durante muitos anos, o risco fiscal brasileiro foi tratado como um problema distante, algo que poderia ser resolvido com crescimento econômico ou ajustes pontuais. Em 2025, essa narrativa perdeu força.

A dificuldade de cumprimento de metas fiscais, o crescimento da dívida pública e a dependência crescente de aumento de arrecadação colocaram o tema no centro das decisões empresariais.

Mesmo quando o discurso oficial tenta minimizar o problema, o mercado observa:

  • expansão contínua dos gastos públicos

  • pressão sobre a arrecadação

  • criação de novas bases tributárias

  • aumento da fiscalização como ferramenta arrecadatória

Para o empresário, isso se traduz em incerteza sobre o futuro da carga tributária. Diante desse cenário, a reação é pragmática: reduzir a exposição ao risco doméstico e diversificar geograficamente o patrimônio.


3. Contas offshore: de tabu a ferramenta essencial

Durante décadas, o termo “offshore” foi associado, de forma equivocada, a ilegalidade ou ocultação de patrimônio. Esse estigma vem sendo rapidamente desmontado pela realidade do mercado.

Hoje, empresários compreendem que ter uma conta offshore é uma ferramenta legítima de gestão financeira, desde que utilizada de forma legal e devidamente declarada.

Uma conta offshore permite:

  • manter recursos em moeda forte

  • reduzir dependência do sistema bancário nacional

  • facilitar investimentos internacionais

  • organizar fluxos financeiros globais

Segundo Marcos R. Feldman, economista e ex-consultor de bancos internacionais (autor fictício):

“A conta offshore deixou de ser símbolo de evasão e passou a ser símbolo de planejamento. Ela não serve para esconder dinheiro, mas para organizar e proteger.”

Esse entendimento explica o crescimento significativo na abertura de contas em bancos internacionais sólidos, especialmente em jurisdições com estabilidade regulatória.


4. Proteção patrimonial: o verdadeiro motor da fuga de capitais

Ao contrário do investidor especulativo, o empresário que internacionaliza seu patrimônio não busca ganhos rápidos. Seu foco está na preservação do que já foi construído.

Diversificação cambial como defesa

Manter todo o patrimônio concentrado em reais passou a ser visto como uma exposição excessiva. A volatilidade cambial afeta diretamente o poder de compra internacional, impactando desde viagens até investimentos globais.

Ao diversificar parte do capital em dólar ou euro, o empresário:

  • protege o valor real do patrimônio

  • reduz dependência da política econômica local

  • ganha flexibilidade financeira

Blindagem jurídica internacional

Estruturas no exterior também oferecem maior separação entre patrimônio pessoal, empresarial e familiar. Isso reduz riscos de bloqueios generalizados e facilita a organização sucessória.

Em muitos casos, uma estrutura internacional bem desenhada é mais eficiente e menos onerosa do que lidar com processos longos e custosos no Brasil.


5. Reforma Tributária: simplificação que gera dúvidas

Embora a Reforma Tributária seja apresentada como um avanço, sua implementação gera insegurança. A transição longa, as alíquotas indefinidas e os impactos setoriais ainda pouco claros levantam questionamentos legítimos.

Empresários do setor de serviços, especialmente, temem um aumento real da carga tributária, mesmo sob o discurso de simplificação.

Diante desse cenário, cresce a busca por:

  • planejamento tributário internacional

  • jurisdições com tributação territorial

  • estruturas que permitam diferimento legal de impostos

Esse movimento reforça a internacionalização como estratégia defensiva.


6. Residência fiscal: quando sair vira planejamento

Um número crescente de empresários tem considerado a mudança de residência fiscal como parte de uma estratégia de longo prazo.

Não se trata de romper vínculos com o Brasil, mas de reorganizar a forma como a renda global é tributada.

Países com sistemas mais previsíveis e carga tributária competitiva passaram a atrair brasileiros que buscam estabilidade e planejamento sucessório mais eficiente.


Brasil x Mundo: uma comparação inevitável

Quando empresários comparam o Brasil a outras jurisdições, a decisão se torna quase automática:

  • mais previsibilidade

  • mais segurança jurídica

  • mais clareza tributária

Não é ideologia. É matemática.


Conclusão: não é fuga, é defesa patrimonial

O movimento de saída de capital observado entre 2025 e 2026 não é passageiro. Ele reflete uma mudança profunda na mentalidade empresarial brasileira.

Enquanto o país não oferecer segurança jurídica, responsabilidade fiscal e previsibilidade, empresários continuarão usando ferramentas internacionais para proteger o que construíram.

Contas offshore, holdings e planejamento global não são luxo. São instrumentos básicos de sobrevivência patrimonial em um ambiente instável.