Conta Offshore no Panamá em 2026: Por Que Você Está Deixando Dinheiro na Mesa (e Como Parar com Isso)

Conta Offshore no Panamá em 2026: Por Que Você Está Deixando Dinheiro na Mesa (e Como Parar com Isso)

janeiro 20, 2026 Off Por Eduardo Esquivel Rios

Vou ser direto. A maioria dos empresários brasileiros que conheço ainda acredita que deixar 100% do patrimônio em Real é “estar seguro”. Eu discordo completamente.

Não estou falando de evasão fiscal ou de esquemas mirabolantes. Estou falando de não colocar todos os ovos na mesma cesta. E se você ainda não entendeu por que uma estrutura offshore no Panamá faz sentido em 2026, precisa prestar atenção no que vou dizer aqui.

Abrir Conta Offshore No Panamá

O Panamá Não É Sobre Esconder Dinheiro (Isso Acabou Faz Tempo)

Existe um mito que precisa morrer: o de que offshore é coisa de sonegador. Mentira. Ou melhor, era verdade há 20 anos. Hoje? Completamente ultrapassado.

Com o CRS (Common Reporting Standard), todos os bancos reportam suas contas para a Receita Federal. Então esqueça a fantasia de “dinheiro secreto nas Ilhas Cayman”. O jogo mudou. Agora é sobre estratégia jurisdicional, não sigilo.

E é aí que o Panamá entra.

Porque você pode abrir uma sociedade anônima lá, manter seus ativos em dólar (zero risco cambial do Real), e ainda assim operar dentro da legalidade brasileira — desde que você declare tudo direitinho. Simples assim.

Por Que Diabos o Panamá (e Não BVI ou Cayman)?

Escritório com vista para uma orla moderna, exibindo um globo terrestre focado nas Américas, calculadora e documentos com os nomes Panamá, Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Cayman

Bom, eu já trabalhei com clientes que testaram várias jurisdições. BVI está cada vez mais chato com exigências de substância econômica. Cayman é caro pra caramba (manutenção anual acima de US$ 3.000).

O Panamá? É o meio-termo perfeito.

Veja essa comparação que eu montei baseado em casos reais:

Panamá (Sociedade Anônima):

  • Custo inicial: US$ 2.500 a 3.500
  • Manutenção anual: US$ 1.500 a 2.000
  • Privacidade: Alta (não tem mais ações ao portador, mas registro é privado)
  • Burocracia: Flexível para investimentos

BVI (Business Company):

  • Custo inicial: US$ 3.000+
  • Manutenção anual: US$ 1.800+
  • Privacidade: Média (pressão crescente por registros públicos)
  • Burocracia: Substância econômica virou um pesadelo em 2026

Cayman Islands:

  • Custo inicial: US$ 5.000+
  • Manutenção anual: US$ 3.000+
  • Privacidade: Alta
  • Burocracia: Rigorosa demais para quem só quer diversificar patrimônio

Na minha experiência, a menos que você tenha mais de US$ 5 milhões e precise de uma estrutura complexa de fundos, Cayman é overkill. O Panamá entrega o que você precisa sem te descabelar com compliance.

Como Funciona na Prática (Sem Enrolação)

Passo 1: Você contrata um advogado panamenho (agente residente). Ele abre a sociedade em 10 a 15 dias úteis.

Passo 2: Você escolhe um banco. Multibank e Bac Credomatic são os mais comuns. Mas atenção: o processo de KYC (Know Your Customer) é brutal. Eles vão pedir sua declaração de IRPF brasileira, origem dos fundos, cartas de referência bancária. Não tente esconder nada. Sério. Não funciona mais.

Passo 3: A conta abre. Você deposita seus recursos. E agora vem a parte que muita gente erra feio.

A Lei 14.754/2023 Acabou com a Festa (E Você Precisa Saber Disso)

Antes de 2023, muita gente achava que podia deixar o lucro “dormindo” na offshore sem pagar imposto no Brasil. Só pagava quando distribuísse os dividendos. Errado.

Hoje, se você controla mais de 50% da offshore (o que é o caso da maioria), o Brasil tributa os lucros contábeis apurados em 31 de dezembro — mesmo que você não retire nada. A alíquota? 15% de IRPF.

E tem mais. Você precisa de um balanço auditado (ou pelo menos preparado segundo IFRS — normas internacionais). Sem balanço? A Receita pode arbitrar o lucro dela. E aí você se ferra bonito.

Eu já vi casos de multas pesadas porque o contribuinte confiou num “contador barato” que não entendia nada de estruturas internacionais. Não economize aí. Sério.

O Panamá É um “Paraíso Fiscal”? (A Resposta Que Você Não Quer Ouvir)

"Investidor acompanhando o saldo de sua conta internacional através de um dispositivo móvel em ambiente doméstico

“Investidor acompanhando o saldo de sua conta internacional através de um dispositivo móvel em ambiente doméstico

Para a Receita Federal brasileira, sim (Instrução Normativa 1.037/10). Mas isso não significa que é ilegal. Significa que você terá alíquotas de retenção na fonte mais altas em certas operações.

A diferença é que, no Panamá, você tem o imposto territorial. Ou seja: lucros gerados fora do território panamenho não são tributados lá. Então se sua offshore investe em ações americanas, bonds europeus, ou qualquer coisa que não seja negócio local no Panamá, você não paga imposto panamenho nenhum.

Claro, você ainda vai pagar no Brasil (os famosos 15% sobre o lucro). Mas pelo menos você não paga duas vezes.

Perguntas Que Sempre Me Fazem

“Posso ser preso por ter offshore?”
Não. A menos que você omita a existência dela. Declare no IR (ficha de Bens e Direitos). Se passar de US$ 1 milhão, reporte ao Banco Central via CBE (Capitais Brasileiros no Exterior). Pronto. Está legal.

“Quanto preciso ter para valer a pena?”
Economicamente, uns US$ 300.000 pra cima. Abaixo disso, os custos de manutenção (taxas anuais, agente residente, contador internacional) comem boa parte do benefício. A menos que você veja isso como proteção sucessória ou antecipação de um patrimônio maior, não compensa.

“Posso compensar imposto pago no Panamá?”
Teoricamente sim (opção pela “transparência fiscal”). Mas como o Panamá não tributa lucros offshore, você não tem imposto panamenho para compensar. Então essa opção é meio inútil na prática. O foco deve ser reduzir o lucro tributável no Brasil através de eficiência contábil legítima.

O Que Nassim Taleb e Ray Dalio Têm a Ver com Isso

Eu não estou inventando teoria maluca aqui. Estou pegando conceitos de gente que entende muito mais de risco do que eu (e provavelmente do que você).

Taleb fala sobre antifragilidade: sistemas que não apenas resistem a choques, mas melhoram com eles. Uma offshore no Panamá é isso. Se o Real colapsar, seu patrimônio em dólar está intacto. Se houver algum “cisne negro” no Brasil (confisco, hiperinflação, o que seja), você tem liquidez imediata em moeda forte.

Ray Dalio martela a mesma tecla: diversificação em moedas, países e classes de ativos. Não é paranoia. É gestão profissional de risco.

E convenhamos: o Brasil não é exatamente um modelo de estabilidade jurídica e econômica. Não preciso listar os exemplos dos últimos 30 anos, né?

A Verdade Que Ninguém Fala (Mas Eu Vou Falar)

Abrir offshore não é “mágica financeira”. É trabalho. É custo. É compliance chato. E se você achar que vai “dar um jeitinho” ou economizar na estrutura, vai se arrepender.

Mas se você fizer direito — com advogado competente, contador que entenda de IFRS, e declaração correta no Brasil — você cria um firewall patrimonial que pode fazer toda a diferença numa crise.

A inércia de deixar tudo no Brasil é confortável. Mas conforto não é sinônimo de segurança. E em 2026, com a legislação cada vez mais rígida (tanto aqui quanto lá fora), quem não se mexe fica para trás.

Disclaimer (Porque Eu Preciso Falar Isso)

Este texto é informativo e educacional. Não é consultoria jurídica, fiscal ou de investimento. Se você decidir abrir uma offshore, contrate profissionais qualificados nas duas jurisdições (Brasil e Panamá). Não sou seu advogado. Não sou seu contador. Sou apenas alguém que já viu muita gente fazer besteira por falta de informação correta.

Sobre o autor: Eduardo Antonio Esquivel é editor de mercados e especialista em gestão de risco. Trabalha identificando padrões em cenários de alta volatilidade usando inteligência de dados.